• Lourenna Miguel

O Movimento Nacional das Pessoas em Situação de Rua

O Movimento Nacional das Pessoas em Situação de Rua nasceu em 2006, numa articulação entre São Paulo e Minas Gerais depois da chacina da Praça da Sé, onde a Polícia Militar assassinou os companheiros.


Hoje nós temos articulação e organização em 13 estados: da região Sul, Sudeste, Distrito Federal, Goiás, Bahia, Rio Grande do Norte, Alagoas, Pernambuco e Ceará. Em Minas Gerais, nossa sede fica no bairro Dona Clara, na casa Canto da Rua. A coordenação é dividida entre vários companheiros: Edson, Jéssica, Alessandra e eu, juntos, vamos tocando esse barco.



Ano passado, nós vivemos todo o processo da pandemia, e mesmo assim o MNPR desenvolveu atividades muito importantes. Atuamos em projetos e processos do enfrentamento da pandemia com a população de rua, quer seja distribuindo marmitas nas ruas, quer seja contribuindo através de grupos de economia solidária, participando dos diálogos na linha do cuidado com a pop de rua, promovemos o debate com os candidatos à prefeitura de Belo Horizonte, e também emitimos um documento solicitando a inclusão da população de rua nos respectivos planos de governo. Com o objetivo de marcar o dia de Luta da População em Situação de Rua, 19 de agosto, fizemos uma marcha até a Prefeitura, onde foi protocolado um documento com as principais reivindicações do nosso povo.


Para avaliar o último ano, realizamos uma reunião recentemente, ponderamos o que foi bom e o que precisamos melhorar. Tivemos muitas coisas boas e observamos alguns pontos que poderíamos ter agido melhor, a partir dessa análise pensamos as ações para 2021. Dentre elas o fortalecimento do debate da questão da mulher em situação de rua e outros grupos como LGBTQ, e a proposta de pensar um projeto de geração de renda para manutenção e autossuficiência deste Movimento. Para, além disso, a realização de assembleias, como a que será realizada nos próximo dia 12, no Canto da Rua Emergencial, na Serraria Souza Pinto. A ideia é que esta estratégia pegue e que no pós-pandemia ou quando a mesma diminuir, nós possamos realizar assembleias em vários pontos da Cidade para tornar o movimento conhecido junto à população de rua, nas nove regionais de BH.


Fizemos um cronograma de reuniões e ações, e destacamos três datas importantes: 8 de março, dia Internacional da Mulher, 18 de maio, dia da Luta Antimanicomial, e 19 de agosto, que é o dia de Luta da População em Situação de Rua.


Nosso objetivo é fazer reuniões mensais, no quarto sábado de cada mês e criar uma aproximação com outros movimentos sociais, movimento de mulheres, movimento negro, enfim grupos urbanos para que tenhamos uma pauta mais alinhada com as demais organizações sociais.


Temos uma rede bastante ampla que envolve os organismos do estado como o Ministério Público, a Coordenadoria de Inclusão e Mobilização Sociais (CIMOS) e Defensoria Pública. Contudo nos falta estreitar relações com outros movimentos. Precisamos nos aproximar das lideranças e das bases dos movimentos sociais urbanos existentes em nossa cidade e estado.


Samuel Rodrigues é membro da Coordenação do Movimento Nacional das Pessoas em Situação de Rua (MNPR).

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